A cunhada do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou que o marido tenha qualquer envolvimento com o resort de luxo Tayayá, no interior do Paraná, frequentado pelo magistrado, apesar de documentos oficiais indicarem que a empresa da família teve participação direta no empreendimento. A declaração foi dada após a identificação de que a sede da Maridt Participações, empresa ligada aos irmãos de Toffoli, consta como sendo uma casa simples em Marília, no interior de São Paulo.
De acordo com uma apuração do Estadão publicada nesta quinta (22), a Maridt Participações chegou a deter cerca de um terço do Tayayá Resort, mas com uma sede administrativa que não condiz com o negócio milionário no município de Rio Claro, no interior do Paraná. A empresa está registrada em um imóvel de 130 metros quadrados visitado pela reportagem.
É lá onde vive José Eugênio Dias Toffoli, irmão do ministro, apontado como diretor-presidente da companhia. O local apresenta sinais visíveis de desgaste, com pintura rachada e pisos quebrados, destoando do padrão de um empreendimento milionário ligado a um resort de luxo.
A Gazeta do Povo procurou o ministro Dias Toffoli para comentar esta nova apuração e aguarda retorno. Ao Estadão, ele não se pronunciou.
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Na casa simples no interior de São Paulo, a reportagem encontrou Cássia Pires Toffoli, esposa de José Eugênio, que afirmou desconhecer qualquer ligação do marido com o resort ou mesmo o fato de a casa ter sido usada como sede da empresa. De acordo com ela, o imóvel foi comprado com seu próprio dinheiro em 1998, por R$ 27 mil, e financiado por 25 anos – hoje teria valor aproximado de R$ 276 mil corrigidos pelo IGP-M.
“Dá uma olhada na minha casa. Você está vendo a situação da minha casa? Eu não tenho nem dinheiro para arrumar as coisas da minha casa! Se você entrar dentro, vai ficar assustado. O que está lá [na Junta Comercial], eu não sei. Eu sei que moro aqui há 24 anos e não sei de nada que é sede [da Maridt] aqui. Aqui é onde eu moro”, disse Cássia.
O marido, que ela apresenta como engenheiro eletricista, estava viajando a trabalho. De acordo com ela, José Eugênio nunca comentou sobre qualquer participação em negócios envolvendo o Tayayá Resort.
Apesar de negar participação no negócio milionário, documentos da Junta Comercial de São Paulo indicam que José Eugênio assinou como presidente da Maridt em operações que envolveram a venda de participações da empresa no Tayayá Administração e Participações e na DGEP Empreendimentos. O e-mail vinculado ao registro da companhia também remete às iniciais do irmão do ministro.
Outro irmão do ministro, José Carlos Toffoli, também já figurou como presidente da Maridt e chegou a ser afastado de funções religiosas após a revelação do vínculo com o resort. Procurado em sua residência, limitou-se a dizer “até logo, passar bem”, encerrando o contato.
Em fevereiro de 2025, a Maridt vendeu integralmente suas participações no resort por valores que somaram cerca de R$ 3,5 milhões, encerrando formalmente sua ligação com o empreendimento. As cotas foram adquiridas pela PHB Holding, pertencente ao advogado Paulo Humberto Barbosa, que já atuou em causas tributárias para a JBS – uma das empresas da J&F Holdings, dos irmãos Joesley e Wesley Batista – em causas tributárias, segundo a apuração.
Antes disso, em 2021, parte da participação havia sido vendida a um fundo ligado ao pastor e empresário Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, investigado no caso do Banco Master e que foi preso na semana passada durante a deflagração da segunda fase da operação Compliance Zero, da Polícia Federal. Dias Toffoli é relator do inquérito no STF, ao qual o caso foi remetido após pedido da defesa de Vorcaro.

