Calçadas quebradas, fios elétricos expostos, pichações, imóveis degradados e a falta de árvores são as marcas de muitas grandes cidades brasileiras. Mas e se, com intervenções simples, esses problemas desaparecessem? Como ficaria a experiência de quem circula diariamente por esses locais?
Graças à inteligência artificial, esse exercício de imaginação ficou mais fácil. A Gazeta do Povo produziu simulações que mostram como obras simples podem gerar mudanças significativas para a população.
Ruas mais arborizadas, calçadas amplas e organizadas e fachadas limpas tornam o ambiente mais convidativo, estimulam o comércio, favorecem a circulação de pedestres e aumentam a sensação de bem-estar.
As premissas adotadas partem da avaliação do arquiteto e urbanista Marlos Hardt, doutor em Gestão Urbana e professor da PUC-PR. Segundo ele, esses elementos são “praticamente básicos” em qualquer espaço urbano.
“Muitas vezes, a gente até tem isso em algum momento, mas essas coisas vão, com o passar do tempo, se perdendo por falta de planejamento”, afirma Hardt.
O arquiteto e urbanista destaca que a responsabilidade é compartilhada. De um lado, há vandalismo e descuido. “Existe essa ideia de que o que é público é de ninguém, quando na verdade o que é público é de todos”, diz. De outro, o poder público nem sempre mantém uma visão permanente de zelo e manutenção.
A vegetação, por exemplo, costuma perder espaço para o concreto. “Quase como se a gente não percebesse, esses elementos vão sendo deixados de lado, e muitas vezes a gente tem uma paisagem urbana extremamente degradada por falta deles”, observa Hardt.
As imagens originais foram captadas pelo Google Street View e posteriormente alteradas com o uso do ChatGPT para simular melhorias urbanas. As intervenções digitais podem gerar pequenas distorções visuais e não representam projetos reais.
Veja como ficariam algumas das capitais brasileiras se o espaço urbano fosse bem cuidado.
São Paulo
A Praça da Sé, 77, no Centro, em frente à Catedral da Sé, é um dos marcos históricos de São Paulo. Na foto original, abaixo, a via apresenta fiação aérea aparente, calçadas estreitas, pouca arborização e sinais de desgaste na paisagem urbana, elementos comuns em áreas de grande circulação nas cidades grandes.
A transformação, representada a seguir, valoriza o patrimônio histórico, amplia o espaço para pedestres e torna o ambiente mais agradável e convidativo. O contraste evidencia como intervenções simples podem melhorar a experiência urbana e reforçar a qualidade visual e funcional de um dos pontos mais simbólicos da cidade.

A imagem abaixo mostra a Avenida Brigadeiro Luís Antônio, corredor importante que liga a região da Avenida Paulista ao Centro paulistano. A paisagem é densa e visualmente poluída.

Na versão alterada, o resultado é uma rua mais equilibrada, com melhor integração entre prédios e o espaço público. A arborização suaviza o impacto do concreto, melhora o conforto térmico e torna o ambiente mais agradável para pedestres e motoristas.

Rio de Janeiro
A Rua dos Andradas, na região central do Rio de Janeiro, é uma área histórica marcada por prédios antigos e comércio popular. A via aparece estreita, com fiação aérea exposta, fachadas desgastadas e calçadas irregulares.

Na versão alterada, o conjunto arquitetônico histórico é mais valorizado.

A Avenida Mem de Sá, na Lapa, é uma via tradicional cercada por casarões históricos e prédios residenciais, em uma das áreas mais simbólicas da boemia carioca. O cenário apresenta fachadas desgastadas e arborização insuficiente.

Na versão alterada digitalmente, a avenida ganha árvores ao longo da via, canteiros organizados e o patrimônio arquitetônico fica bem mais valorizado.

Belo Horizonte
A Avenida Afonso Pena, no Centro da capital mineira, é um dos principais eixos da cidade, cercado por prédios comerciais, hotéis e intenso fluxo de veículos. O cenário apresenta fachadas desgastadas, pouca arborização contínua e calçadas com aparência simples.

Na versão alterada, a avenida ganha árvores ao longo do canteiro central e das calçadas, novos jardins e fachadas revitalizadas. A vegetação suaviza o impacto dos edifícios, melhora o conforto térmico e valoriza o conjunto urbano que é um dos cartões-postais da cidade.

Porto Alegre
A Avenida Osvaldo Aranha, no Centro, é um importante corredor urbano. O cruzamento compõe uma paisagem visualmente poluída.

A transformação do local na capital gaúcha suaviza o excesso de concreto, valoriza o entorno e melhora o conforto térmico e visual.

Curitiba
A Rua Marechal Deodoro, no Centro, é um dos principais eixos comerciais da capital paranaense, cercado por prédios históricos e edifícios corporativos. Uma paisagem marcada pela poluição visual e pelo tráfego intenso de veículos.

Com a transformação digital, a via ganha árvores ao longo das calçadas e do canteiro central, jardins organizados e fachadas revitalizadas, além da remoção de fios expostos.

Florianópolis
A Rua Conselheiro Mafra, no Centro, é uma área de comércio tradicional e circulação intensa de pedestres. O calçamento está desgastado e as fachadas com sinais de deterioração. Há pouca arborização.

A rua ganha árvores, canteiros organizados, pintura renovada e remoção de pichações e fios expostos. As calçadas aparecem mais uniformes e convidativas ao pedestre.

Recife
A Avenida Conde da Boa Vista, no Centro, tem ao fundo o histórico Cinema São Luiz, um dos marcos culturais da cidade. O cruzamento apresenta prédios altos com fachadas desgastadas, uma paisagem marcada pelo concreto e pela poluição visual.

A avenida recebe árvores ao longo das calçadas e do canteiro central. A vegetação suaviza o impacto dos edifícios e melhora o conforto térmico em uma área de clima quente.

Salvador
A Avenida José Joaquim Seabra, na região da Baixa dos Sapateiros, é um tradicional corredor comercial do Centro Histórico da capital baiana. Predominam na via fachadas desgastadas, fiação aérea aparente e calçadas com sinais de deterioração.

A Avenida ganha canteiros floridos e fachadas revitalizadas com cores mais vivas, além da retirada de fios expostos e pichações. As intervenções simples podem qualificar a paisagem urbana e fortalecer a identidade do centro de Salvador.

Belém
A Avenida Portugal com a Rua Quinze de Novembro, no centro de Belém, abriga sobrados históricos de fachada ornamentada, como o prédio rosa e o imóvel amarelo e azul, típicos da arquitetura do ciclo da borracha. O cenário, entretanto, mostra fios expostos, desgaste nas pinturas e calçadas irregulares que reduzem a qualidade visual do espaço.

A requalificação das fachadas, a organização da fiação, a arborização e o novo paisagismo valorizam o patrimônio e ampliam a sensação de cuidado e segurança.


