back to top
InícioÚltimas NotíciasPor que o show de Bad Bunny no Super Bowl irritou Donald...

Por que o show de Bad Bunny no Super Bowl irritou Donald Trump

Published on

spot_img

A atração musical do Super Bowl, o maior evento esportivo, disparado, dos Estados Unidos, pouco ou quase nada teve a ver com as tradições do país. No intervalo do duelo entre Seattle Seahawks e New England Patriots, no domingo (8), Porto Rico foi o tema principal na final da NFL, a liga norte-americana de futebol.   

Foi a escolha de Bad Bunny. O cantor porto-riquenho, escalado para o show realizado no horário mais prestigiado da tevê americana, decidiu aproveitar os 13 minutos durante a pausa do jogo para encenar uma mistura de ato político e ode geral à latinidade.   

Nada, claro, foi por acaso. A apresentação do “Coelhinho Mau”, em ritmo de protesto, se deu em um contexto de debate nacional nos EUA, por causa da política anti imigração do presidente Donald Trump e a atuação do ICE.   

Artista já bastante popular, aos 31 anos Bad Bunny resolveu assumir recentemente uma nova faceta: a de artista “engajado” em causas sociais. E usou a chance de se apresentar para uma audiência televisiva superior a 100 milhões de pessoas para tentar emplacar seus ideais.

¿Habla español?  

No palco do Levi’s Stadium só se ouviu espanhol. As letras das músicas escolhidas pelo cantor foram todas no idioma. E sempre que se dirigiu ao público, Bad Bunny preferiu empregar a língua que aprendeu ao nascer na comunidade praiana de Vega Barra.  

Quando falou em inglês, o artista o fez justamente em tom de provocação. Em dado momento, o cantor proferiu “God Bless America” (“Deus abençoe a América”), a frase patriótica usada nos EUA. Para em seguida nomear países do continente americano, seguido por dançarinos com a bandeira de cada um, até finalizar com “e minha terra mãe, Porto Rico”.  

Os figurinos e os cenários da apresentação foram todos inspirados na terra natal do batizado Benito Antonio Martinez Ocasio. A ideia foi valorizar a cultura do arquipélago caribenho que é um território não incorporado dos EUA desde 1898.   

Enquanto os jogadores se refaziam nos vestiários, o gramado foi tomado por cenas típicas de países latinos: trabalhadores rurais em uma plantação de cana, homens jogando dominó, mulheres na manicure etc. A apresentação também reproduziu uma festa na “casita”, uma típica moradia porto-riquenha que costuma aparecer nos shows do cantor.   

Por lá, na animada “casita”, marcaram presença estrelas do showbiz de origem ou ascendência latina. Casos dos atores Pedro Pascal (chileno) e Jessica Alba (pai descendente de mexicanos) e outras figuras da música, casos de Cardi B (pai dominicano e mãe de Trinidad Tobago) e Karol G (colombiana).  

O pacote “orgulho latino” foi fechado com a participação de Ricky Martin, também porto-riquenho como Bad Bunny, e da americana Lady Gaga. O astro pop, revelado pela boy band Menudos, nos anos 80, e a diva americana, cantaram músicas de sucesso do protagonista da noite em Santa Clara, na Califórnia.

Trump não gostou de Bad Bunny  

Ainda na noite de domingo (8), Trump correu ao Truth Social para comentar a participação do artista porto-riquenho. Embora não tenha citado Bad Bunny, o presidente esculachou a apresentação em postagem na rede social.   

“Absolutamente terrível, um dos piores de todos os tempos! Não faz sentido nenhum, é uma afronta à grandeza da América e não representa nossos padrões de sucesso, criatividade e excelência”, escreveu Trump. 

Não foi a primeira vez que o presidente americano se insurgiu contra o porto-riquenho. Em outubro do ano passado, quando a Super Bowl anunciou que Bad Bunny seria a principal atração do intervalo, Trump detonou a escolha.  

O presidente classificou a indicação como “absolutamente ridícula”. Trump também questionou por que a liga havia optado por um artista que canta majoritariamente em espanhol e é crítico de suas políticas.

Estrangeiros no Super Bowl? 

Não foi a primeira vez que um artista estrangeiro assumiu o protagonismo no intervalo da maior competição esportiva americana. Vários outros já ocuparam o centro do palco no intervalo.  

Ao longo das últimas décadas, o espaço deixou de ser apenas um espetáculo doméstico para se tornar uma vitrine global da indústria musical. Agora, é verdade, nunca houve tamanho apelo político quanto na apresentação de Bad Bunny.  

Em 2002, os irlandeses do U2 fizeram uma homenagem às vítimas do 11 de Setembro. Anos depois, em 2005, foi a vez do ex-Beatle e britânico Paul McCartney e, em 2020, a colombiana Shakira dividiu o show com Jennifer Lopez, também em uma celebração da cultura latina.  

No ano passado, o americano Kendrick Lamar se tornou o primeiro rapper solo a liderar o show do intervalo e, como Bunny, levou para o palco questões políticas. Lamar abordou temas como raça, identidade e desigualdade nos Estados Unidos e também gerou controvérsia. 

Donald Trump estava no estádio, na oportunidade, mas não se manifestou sobre a apresentação.

Evento alternativo conservador 

Numa tentativa de diminuir o impacto do Super Bowl, o grupo conservador Turning Point USA decidiu promover um evento paralelo ao show do futebol americano. Uma forma de responder à escolha de Bad Bunny. 

Intitulado “All-American Halftime Show” (“o show do intervalo todo-americano”, em tradução livre), o espetáculo foi exibido no mesmo horário do Super Bowl como uma alternativa baseada em “fé, família e liberdade”, voltada a um público crítico ao repertório do artista porto-riquenho. 

O palco reuniu nomes como Kid Rock, Brantley Gilbert, Lee Brice e Gabby Barrett. A programação incluiu uma versão em ritmo de rock do hino nacional dos EUA e homenagens a Charlie Kirk, fundador da organização, assassinado em 2025. 

Transmitido pelo YouTube, pela plataforma Rumble e por canais alinhados ao conservadorismo, o evento registrou entre 5,7 e 6,1 milhões de espectadores simultâneos, segundo estimativas.

Programa de americano 

Historicamente, o Super Bowl, que alcançou sua 60ª edição, é considerado um programa de americanos. É quando se encerra a temporada de um esporte arraigado à cultura do país.  

As famílias se reúnem para assistir ao jogo que decide o grande vencedor da temporada. Desta feita, duelo vencido pelos Seattle Seahawks, sobre o New England Patriots, por 29×13. Foi o segundo triunfo da equipe na história.   

Entretanto, a National Football League, que organiza o jogo, tem ampliado sua estratégia global com uma série de partidas internacionais. Jogos já foram disputados em Londres, Berlim, Madrid, México e até São Paulo, parte de um programa para ganhar público fora dos EUA. 

O Super Bowl também atrai cada vez mais a audiência global. Em edições recentes, foram contabilizados mais de 60 milhões de telespectadores fora do território americano. Daí, também, a ideia de internacionalizar o show do intervalo, buscando um público além do torcedor tradicional americano

Qual o tamanho de Bad Bunny? 

O porto-riquenho é atualmente um dos artistas mais populares e prestigiados do planeta. Com sete discos lançados, faz sucesso estrondoso não apenas com o  público. Mas, também, pode acreditar, com a crítica.

Bunny ostenta músicas com mais de um bilhão de audições e 92 milhões de ouvintes mensais. Tudo isso somente no Spotify.  

Há poucos dias, o cantor ainda amealhou três prêmios Grammy, incluindo o de “Melhor Álbum de Música Urbana” de 2025 com “Debí Tirar Más Fotos”. Ao todo, já coleciona seis gramofones dourados, fora os do Grammy Latino.  

Desta última vez, ele ainda aproveitou os holofotes da mídia mundial para se manifestar politicamente. Ao receber um dos troféus, Bunny abriu seu discurso com “Fora Ice”, em protesto contra a atuação da agência anti-imigração dos EUA. 

E complementou: “Não somos selvagens, não somos animais, não somos alienígenas, somos humanos e somos americanos. O ódio se torna mais poderoso com mais ódio. A única coisa mais poderosa que o ódio é o amor”. 

Artigos mais recentes

Total de trabalhadores no agronegócio cresce 2% e bate recorde

O número de trabalhadores no agronegócio brasileiro chegou a 28,6 milhões no terceiro trimestre...

Meu amigo Flávio

A campanha “Meu Amigo Flávio” é um sucesso.Tudo começou com o comediante Murilo Couto....

Ministra vota contra gratificação a servidores aposentados do INSS

A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou contra a extensão do...

Acordo entre Mercosul e União Europeia pode ser votado na Câmara após o carnaval

O acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia pode começar...

Mais como este

Total de trabalhadores no agronegócio cresce 2% e bate recorde

O número de trabalhadores no agronegócio brasileiro chegou a 28,6 milhões no terceiro trimestre...

Meu amigo Flávio

A campanha “Meu Amigo Flávio” é um sucesso.Tudo começou com o comediante Murilo Couto....

Ministra vota contra gratificação a servidores aposentados do INSS

A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou contra a extensão do...