back to top
InícioÚltimas NotíciasAdolfo Sachsida e Luciano Trigo: vocês estão errados!

Adolfo Sachsida e Luciano Trigo: vocês estão errados!

Published on

spot_img

Disse ao Luciano Trigo que tenho gostado muito desse diálogo entre os colunistas da Gazeta do Povo. Tenho mesmo. É algo raro, e não só por aqui; nos outros jornais também. Não sei por quê. Preguiça? Talvez. Mas talvez seja porque cada um vive no seu mundinho, na sua bolha, e está mais interessado em falar do que em ouvir.

E sim, isto é um mea culpa. Ou, me ocorre agora, talvez seja porque temamos estimular um clima de beligerância entre os colunistas e, pior, entre os comentaristas. Seja lá o que for, está mudando e isso é bom.

ENTRE PARA A MINHA COMUNIDADE NO WHATSAPP!

Polêmicas

Pode ser também que estejamos cansados de polêmicas vazias. Eu estou. “Polêmicas”. Só de ler/ouvir essa palavra já bate aquele bode. No meu caso, não é segredo para ninguém que não vejo propósito em vencer um debate, o que não acontece com frequência, mas, quando acontece, dá até uma tristeza.

Gosto da conversa, da provocação, das risadas, da troca que exige confiança e vulnerabilidade. Mas esse negócio aí de achar que o debate deve ter um vencedor e um derrotado é caído demais. Dito isso, Adolfo Sachsida e o próprio Luciano Trigo, que recentemente refutaram textos meus, estão errados. Jamais perca isso de vista.

Errado até quando concorda comigo

Aliás, o Luciano Trigo cometeu a proeza de estar errado mesmo concordando comigo. Hahahahahaha. Brincadeira, claro. Papo entre amigos é assim. É que outro dia ele citou Bertrand Russell para me dar (mais) razão quando eu disse que é essa coisa de morrer por uma causa política é uma tolice. E uma tolice perigosa. Pô, Luciano! Obrigado pela força, mas… não tinha filósofo melhor, não?

Mas pelo menos ele concordou e, em concordando, foi genial. Simplesmente porque o interlocutor sempre parece mais inteligente quando concorda comigo, né? Com você é assim também?

Engole o choro!

Já no texto em que refuta a minha tese simples e limpinha, tadinha, de que a gente tem que aguentar umas ofensas se pretende ter liberdade de exprimir o que o outro pode considerar ofensivo, Luciano Trigo erra ao ceder ao espírito do tempo e pregar que o ofendido sempre deve recorrer à justiça.

Em outras palavras e idioma: man up, cara! Engole o choro. Deixa passar 24 horas. Aposto que você vai ver que a ofensa não machucou tanto assim e não carece de calar a voz do ofensor. Ele que diga, que pense, que fale, que se arrependa e quiçá peça perdão.

Ofensa sutil

Foi, aliás, o que fiz ao ler o texto do futuro ministro da Economia (dizem), sua excelência Adolfo Sachsida. Ele usou o argumento religioso para refutar meu texto em que eu dizia que não, ao cidadão comum não vale a pena morrer pelo bolsonarismo nem pela anistia nem pela marcha do Nikolas nem por nada disso. E confesso: na hora fiquei furibundo da vida.

Mas respirei fundo, perguntei a dois ou três amigos se deveria responder, dei uma volta na quadra, voltei, esbocei uns insultos ad hominem (Salsicha!) e desisti. E, se respondo agora, é sinal de que estou com o coração leve.

Porque Sachsida foi sutil ao me xingar de covarde e dizer que meu estilo é “deselegante”, mas xingou e disse, e a vontade foi (é) a de retribuir na mesma moeda. Não vou, claro. Mas, pô, Sachsida. Sacanagem, cara. Tome tento!

Palhaços e gladiadores

Vou dizer apenas que o argumento religioso usado por Sachsida é, com todo o respeito, uma falácia. Jesus não morreu por uma causa política. Os mártires cristãos não morreram por uma causa política.

Além disso, ao exaltar a suposta coragem de se morrer por uma causa política (qual a dificuldade de distinguir o político do religioso?), talvez inadvertidamente Sachsida legitimou a tragédia daquele sujeito que se matou em frente ao STF. E, de quebra, transformou em heróis, em mártires os guerrilheiros comunistas da Ditadura Militar. Que tal?

Chaaaato

No fim das contas, Luciano Trigo segue errado, Sachsida segue errado e é possível (mas improvável) que eu também esteja errado. Faz parte. Até porque, se todo mundo estivesse absolutamente certo o tempo todo, a Gazeta do Povo viraria um mural de verdades definitivas e concordâncias automáticas. Chaaaaaato.

Melhor continuar assim: discordando e provocando e debochando respeitosamente (sim, é possível!) do coleguinha. Lembrando que, na arena pública, estamos mais para palhaços do que para gladiadores.

Joga para Deus!

Porque a vida intelectual é isso. A gente escreve com a melhor das intenções e… joga para Deus! Isso mesmo: joga para Deus. Não sei meus nobres colegas, mas aprendi que o desejo de controlar como a mensagem será recebida em sua integralidade é pura perda de tempo. E querer convencer o outro, talvez humilhá-lo e destruí-lo, bom, isso aí já é uma degeneração do debate público.

Degradação que tento evitar com leveza, bom humor e, quando possível, doses cavalares de caridade, mesmo quando a vontade é a de soltar uns impropérios daqueles de encher a boca. Sabe quais?

Por fim, e para que não reste dúvidas: Luciano Trigo e Adolfo Sachsida estão errados. Mas vamos conversando. É o que importa.

Artigos mais recentes

Querem me derrubar faz tempo

“Existe um posicionamento político no que eu escolho fazer no teatro” – Eduardo Moscovis, ator. E o posicionamento é...

Warner aceita proposta de compra de US$ 110 bi da Paramount

A Warner Bros Discovery (WBD.O) aceitou a proposta de compra da Paramount Skydance (PSKY.O)...

o papel dos isentões na política atual

Num ambiente político marcado por antagonismos e certezas inabaláveis, defender a moderação passou a...

Como a reforma tributária taxa Airbnb e aluguel temporada

A partir de 2027, proprietários que alugam imóveis por temporada podem pagar mais impostos....

Mais como este

Querem me derrubar faz tempo

“Existe um posicionamento político no que eu escolho fazer no teatro” – Eduardo Moscovis, ator. E o posicionamento é...

Warner aceita proposta de compra de US$ 110 bi da Paramount

A Warner Bros Discovery (WBD.O) aceitou a proposta de compra da Paramount Skydance (PSKY.O)...

o papel dos isentões na política atual

Num ambiente político marcado por antagonismos e certezas inabaláveis, defender a moderação passou a...