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Correios admitem crise financeira por taxa das blusinhas

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Os Correios admitiram nesta quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026, que a criação da taxa de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 impactou severamente seu caixa. A estatal registrou uma queda drástica de receita e perdeu o protagonismo no setor de encomendas vindas do exterior.

O que causou a crise financeira recente na estatal?

O principal motivo foi a implementação do programa Remessa Conforme pelo Ministério da Fazenda. Além de criar a ‘taxa das blusinhas’, a regra permitiu que transportadoras privadas passassem a realizar entregas que antes eram exclusivas dos Correios. Isso gerou uma frustração de receita estimada em R$ 2,2 bilhões e uma queda de 12,7% no faturamento do terceiro trimestre de 2025 em comparação ao ano anterior.

Como os Correios perderam o mercado de encomendas internacionais?

Até agosto de 2024, a empresa detinha praticamente um monopólio nesse segmento. Com a abertura do mercado, a estatal não conseguiu se adaptar rapidamente às mudanças de comportamento da sociedade e à concorrência. Documentos internos revelam que as receitas vindas do exterior despencaram de R$ 3,2 bilhões para apenas R$ 1,1 bilhão em um período de um ano.

Quais falhas internas foram expostas pela nova taxação?

A diretoria da empresa admitiu que a baixa qualidade operacional gerou um ‘ciclo vicioso’ de perda de clientes. A falta de um plano de negócios eficiente para enfrentar a concorrência privada comprometeu a relação com grandes clientes, que são responsáveis por mais de 50% do faturamento da estatal, dificultando o pagamento de dívidas acumuladas que somavam R$ 3,7 bilhões até setembro passado.

Qual é o plano da empresa para sair do prejuízo?

A estratégia de recuperação se baseia em três pilares: estabilização, consolidação e crescimento. Para garantir dinheiro em caixa imediatamente, a estatal busca captar R$ 12 bilhões, além de revisar custos internos e modernizar suas operações. O objetivo é garantir que a empresa continue sendo competitiva e consiga manter a entrega de correspondências em todo o país.

Por que a estatal decidiu vender prédios e terrenos?

Como parte do plano de reestruturação, os Correios iniciaram o leilão de 21 imóveis considerados sem uso (ociosos) em vários estados, como São Paulo, Minas Gerais e Paraná. A expectativa é arrecadar cerca de R$ 1,5 bilhão com a venda de galpões, lojas e apartamentos. A empresa garante que essas vendas não prejudicarão o atendimento à população.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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