O escândalo financeiro do Banco Master chegou ao ídolo Ronaldinho Gaúcho. Fundos usaram imóveis dele no Rio Grande do Sul para lastrear negócios que nunca saíram do papel. Sua defesa declarou que o ex-jogador nunca soube do mau uso de suas propriedades.
Conhecido nas redes sociais por associações com temas inusitados — os famosos “rolês aleatórios” —, o craque foi estampado nas páginas do jornal O Globo desta quarta-feira (4) no centro de uma investigação do Ministério Público Federal (MPF) e do Banco Central (BC). Diversos outros veículos repercutiram a notícia.
Os órgãos investigam o uso de dois terrenos de propriedade do jogador em Porto Alegre, avaliados em R$ 330 milhões, utilizados pelo Banco Master e pela corretora Reag para a emissão de títulos. O BC e o MPF notaram um padrão: os chamados Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) eram emitidos com base em aluguéis futuros que jamais seriam realizados. Os papéis lastreavam a captação de recursos com parcelas de financiamento de imóveis e irrigavam outros fundos de investimento do Master, que era seu único cotista.
O fundo em questão chamava-se City 02. No modelo padrão, o proprietário do fundo recebe o dinheiro do financiamento, enquanto os investidores aplicam recursos e recebem juros sobre o papel. No entanto, os negócios imobiliários que originaram os CRIs nunca aconteciam.
Defesa e o esquema
Advogados de Ronaldinho afirmaram que o jogador nunca teve conhecimento da operação e que os terrenos jamais poderiam servir para empreendimentos imobiliários devido à falta de licença ambiental e atraso no pagamento de IPTU junto à Prefeitura de Porto Alegre.
Embora Ronaldinho tenha se encontrado com interessados no negócio, o assunto não teria passado de conversas preliminares. Os sócios do empreendimento original também negaram conhecimento sobre a emissão dos CRIs.
A investigação apura a existência de uma espécie de pirâmide financeira: os CRIs captavam recursos que não se transformavam em negócios concretos, servindo apenas de lastro para a emissão sucessiva de outros fundos. Isso criava uma falsa impressão de robustez institucional. Estima-se que o valor total em CRIs “fictícios” chegue a R$ 1 bilhão.
A Reag e o Banco Master sofreram intervenção do BC, e seus integrantes são alvos de investigação por fraude financeira pela Polícia Federal. O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, afirma estar colaborando com as autoridades; seu depoimento está previsto para ocorrer na CPMI do INSS após o Carnaval.
Outros “rolês aleatórios”
O episódio mais emblemático entre os rolês extracampo de Ronaldinho foi sua prisão no Paraguai por uso de passaporte falso, onde chegou a jogar futsal na prisão.
Mas a lista é longa: desfilou na Paris Fashion Week em 2024, atuou no cinema ao lado de Jean-Claude Van Damme e Mike Tyson, e até se vestiu de Jedi em campanhas publicitárias.
O “Bruxo” também tocou o sino da Bolsa de Valores de Nova York e fez uma participação especial na versão turca do reality show “No Limite”.


