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o papel dos isentões na política atual

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Num ambiente político marcado por antagonismos e certezas inabaláveis, defender a moderação passou a ser visto quase como um ato de provocação. É justamente esse fenômeno que pauta o novo episódio do programa Saideira, da Gazeta do Povo, que recebe o jornalista e analista político Diogo Schelp para uma conversa franca sobre polarização, diálogo e coragem intelectual.

Partindo do lançamento do livro Nem Comunista, Nem Fascista: um guia de resistência para moderados, o programa discute como o termo “isentão” virou um rótulo pejorativo que intimida aqueles que se recusam a ceder aos extremos.

O preço

Ao longo da entrevista, Paulo Polzonoff Jr. e Francisco Escorsim exploram as origens históricas da moderação política e questionam por que características antes admiradas, como prudência, busca por consenso e disposição ao diálogo, passaram a despertar desconfiança e hostilidade. A conversa aponta para um cenário em que posições equilibradas são confundidas com relativismo ou falta de convicção.

Outro ponto central do episódio é o papel do medo na radicalização que testemunhamos hoje em dia. O receio do isolamento social, da rejeição pública ou do cancelamento pode empurrar indivíduos para posições cada vez mais extremadas. Nesse contexto, surge uma pergunta inevitável: qual é o preço pessoal e profissional de permanecer moderado em tempos de intensa polarização?

Compreendendo os extremos

O programa também aborda uma questão delicada: os extremos devem existir e ser ouvidos dentro do debate democrático? Em vez de simplesmente condená-los, a discussão busca compreender as motivações que levam parte da sociedade a abraçar discursos mais radicais, propondo uma reflexão menos reativa e mais analítica.

Durante a conversa, Schelp comenta ainda os desafios de analisar lideranças políticas contemporâneas sob a ótica da moderação, destacando como a proximidade histórica frequentemente dificulta avaliações equilibradas. O tema levanta debates sobre confiança do público, memória política e interpretação do presente.

Perigo: conversa civilizada

Fiel à proposta do Saideira, o episódio combina política, cultura e comportamento numa conversa acessível, bem-humorada e civilizada. Em vez de oferecer respostas definitivas, o programa convida o espectador a refletir sobre o estado atual do debate público e sobre o papel que cada cidadão pode desempenhar nele. O novo episódio já está disponível no canal da Gazeta do Povo no YouTube.

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