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Quem inventou de dizer que Wagner Moura é um grande ator?

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Wagner Moura ganhou o Globo de Ouro de Melhor Ator e imediatamente virou intelectual. Agora que foi indicado ao Oscar, então, virou gênio incontestável, do tipo capaz de defender uma asneira como essa da necessidade de mais filmes sobre a ditadura [BOCEJO] e ser aplaudido. Eu, que nunca gostei, torço o nariz, tentando dar o devido peso a esse nada disfarçado de alguma coisa. Aí me lembro de quanto escrevi um texto em que dizia sem delongas, assim, na lata, que Wagner Moura era (é) um ator medíocre.

Mas eu sou apenas um jornalista de província dado a umas opiniões esquisitas. Eu sei. Na época, e lá se vão quase sete anos, até o Constantino veio me dizer que tinha gostado do texto e tal, mas que não concordava que Wagner Moura fosse um ator medíocre. E tudo bem. Direito dele e de todos os que têm um pôster de Wagner Moura na parede do quarto no seu condo na Flórida. (Brincadeira, Consta!). Digo, de todos os que consideram Wagner Moura um grande ator. Ainda que não saibam direito por quê.

Cigano Igor

E é aí é que está o meu ponto: para além da personalidade pública agora chancelada pela Hollywood Foreign Press Association e pela Academy of Motion Picture Arts and Sciences (em inglês! ó que chique!), você já parou para se perguntar o que faz de Wagner Moura um bom ator, um grande ator, um excelente ator ou talvez até mesmo O MAIOR ATOR DE TODOS OS TEMPOS (uhu!, que orgulho, vai Brasil!!!)?

Serve para o baiano recém-coroado pelo luxuoso, deslumbrado, afetado e hipócrita mundinho de fantasia da imprensa estrangeira em Hollywood. Mas serve também para qualquer outro ator ou atriz, vivo ou morto. Lima Duarte, por exemplo. Grande Otelo. Marlon Brando. Lawrence Olivier. Mazzaropi. Jerry Lewis. Chico Anysio. Meryl Streep. Kate Winslet. Fernanda Montenegro. Fernanda Torres, claro, como pude me esquecer da nossa Fernandinha?! E até para Ricardo Macchi e seu inesquecível Cigano Igor.

Aplausos, aplausos e mais aplausos

O que faz dessas pessoas profissionais admiráveis na outrora nobre arte da interpretação? O que as distingue dos atores ruins, dos mais-ou-menos e dos medíocres? Será mesmo que eles têm o dom de se anularem a fim de darem vida a um personagem? Ou será que a atuação foi reduzida à mera arte da imitação e da reprodução de textos panfletários?

Ou ainda: será que, de tanto insistirem na qualidade inegável (é sempre inegável e quem negar está sempre com inveja) do trabalho de um Wagner Moura, acabamos acreditando – primeiro porque água mole em pedra dura tanto bate até que fura e segundo porque dá trabalho demais refutar? E mais: será que existe alguém com autoridade suficiente para, hoje em dia, esclarecer se Wagner Moura é um canastrão ou um ator realmente digno de aplausos, aplausos e mais aplausos? E de pé, ainda por cima!

Wagner Moura interpreta Wagner Moura

Claro que não existe. De modo que, com o colapso da crítica e a decadência estética generalizada, a profissão de ator se tornou uma atividade essencialmente… política. No sentido ideológico, sim; mas principalmente no sentido das relações de poder dentro de um setor específico, o audiovisual. Aliás, dá para dizer que praticamente todas as atividades artísticas foram reduzidas a isto: uma procissão de beija-mãos, tapinhas nas costas e salamaleques. Daí o porquê de Wagner Moura ter de prestar contas de seus posicionamentos ideológicos. O tempo todo. Do contrário, e na ausência de um talento evidente e alheio à promiscuidade das relações políticas, adeus papéis, adeus sucesso, adeus fama, adeus dinheiro, adeus ilusão de influência, adeus tudo.

Entenda: Wagner Moura não foi premiado Melhor Ator nem indicado ao Oscar por sua interpretação oh! magistral em “O Agente Secreto”. Até porque ninguém sabe mais o que é uma interpretação oh! magistral. Wagner Moura foi premiado com o Globo de Ouro, e dizem que é favorito ao Oscar, por interpretar com razoável desenvoltura um tal de Wagner Moura – um personagem escrito a muitas mãos, por agentes, produtores, executivos, diretores, roteiristas e até banqueiros interessados em faturar com a fama do cara. Só isso.

Mediocridade premiada. E autoengano

Ou você acha que nesse meio contaminado pelo hedonismo, egolatria e ostentação hipócrita há alguém minimamente preocupado em exercer com ardor a dificílima arte de dar vida a personagens complexos, capazes de expressar todas as sutilezas e contradições inerentes à condição humana? Claro que não! Essa coisa da arte feita para Deus ou mesmo para uma glória terrena assentada na modéstia e naquela beleza que atravessa os séculos nem passa pela cabeça de tipos como Wagner Moura. Ou Mark Ruffalo. Ou Leonardo di Caprio. Ou Taís Araújo. Ou seus agentes, produtores e banqueiros.

Donde concluo que, diante de um público esteticamente deseducado, cada vez menos exigente, sem personalidade e suscetível, pois, à manipulação da máquina de propaganda hollywoodiana em troca de aceitação imediata; num cenário onde predominam o ressentimento e o niilismo deslumbrado; diante da ausência de autoridades morais e estéticas e do desinteresse das celebridades em serem artistas dignos do nome, o que nos resta é a alegria ou raiva fugazes pela mediocridade premiada com estatuetas de gosto duvidoso, por trabalhos que ninguém nem viu.

Isso e o autoengano cansado. Então tá. Digamos que Wagner Moura seja, de fato, um grande ator. Próximo!

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