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Querem me derrubar faz tempo

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“Existe um posicionamento político no que eu escolho fazer no teatro” – Eduardo Moscovis, ator. E o posicionamento é o seguinte: uma mão fecha os olhos para a corrupção, enquanto a outra segura o pires esperando a Lei Rouanet. 

“Nós dos Progressistas somos do tempo em que acreditamos em palavra” – Ciro Nogueira, senador (Progressistas-PI), criticando o tratamento dado pelo PL à deputada Carol de Toni. Afinal de contas, a palavra é a matéria-prima da mentira. 

“Estou com uma crise de soluços. Soluço mata? Ai, meu Deus, estou com muito medo!” – Soraya Thronicke, senadora (Podemos-MS). Fique tranquila, senadora: o soluço é uma aflição exclusiva dos mamíferos, sem registro de casos fatais entre os ofídios. 

“Vamos supor que trinta pessoas que receberam polilaminina voltem a andar, você teria coragem de fazer um estudo clínico controlado?” – Tatiana Sampaio, pesquisadora, sobre a realização de testes clínicos com a droga que promete reverter paralisia. A ciência brasileira curando a paralisia no olhômetro e a NASA lá, perdendo tempo com foguetes em vez de vir nos estudar. 

“Camarão GG: maior que cérebro de petista” – anúncio da Casa de Carnes Goiás, que recebeu multa por discriminação. Justíssima a multa. Anunciar o óbvio é propaganda enganosa: qualquer camarão anão ganha essa disputa, é o mesmo que fazer propaganda de água molhada. 

“Errou e tem que pagar pelo que fez. Vai sair de lá maior” – Marcinho VP, chefe do CV, sobre a prisão do filho, o suposto rapper Oruam. Não seria a primeira vez que alguém entra na prisão com a carreira em baixa e depois sai direto para o topo. 

“Não é normal um preso decidir o futuro do país votando” – Guilherme Derrite, deputado federal (PP-SP), relator do PL Antifacção. Exatamente. Segundo a nossa tradição democrática, o normal é o preso decidir o futuro do país sendo votado. 

“Chegou a hora de proibirmos o uso de pijamas em nosso aeroporto” – aviso do Aeroporto Internacional de Tampa, nos EUA. Por aqui, a proibição do pijama nos aeroportos até passaria. O problema é tentar banir a cueca com compartimento secreto: aí o Congresso barra na mesma hora. 

“Juiz de primeiro grau não tem carro, paga do próprio bolso o combustível. Não tem apartamento funcional, plano de saúde, refeitório, água, café… O subsídio de R$ 46 mil brutos cai para R$ 24 mil líquidos. Desembargador também não tem quase nada, a não ser um carro” – Cláudia Marcia de Carvalho, presidente da Associação Brasileira de Magistrados do Trabalho.  Diante de tamanha penúria, como culpar o magistrado que vende uma sentencinha aqui ou uma liminar ali pra completar a renda? E o que faz um biscatezinho como dono de resort? Força, guerreiros! 

Master Tribunal Federal 

“Forçou a barra em cima de direitos individuais e essa forçada de barra é, sim, um avanço em cima do alicerce de uma democracia. Às vezes, você tem que fazer isso para defender a democracia” – Pedro Doria, jornalista, defendendo os abusos do STF. Surge mais uma criatura pitoresca do folclore nacional: depois do Curupira, da Mula-Sem-Cabeça e do Boto-Cor-de-Rosa, agora temos o Democrata-Que-Dá-Uma-Censuradinha-de-Leve. 

“Querem me derrubar faz tempo. Eu nem vou fazer aquela brincadeirinha do ‘cabeças vão rolar’… porque vão” – Alexandre Barci de Moraes, marido da Vivi e ministro do Supremo (STF-SP), denunciando suposta conspiração para tirá-lo do poder. Bom, já podemos riscar da lista de suspeitos os nossos senadores, os enrolados da Lava Jato e a turma do Banco Master; afinal, esses não teriam o menor interesse na queda. Resumindo: sobrou apenas o resto do Brasil. 

“Caso um alienígena chegasse ao Brasil e acompanhasse apenas o noticiário dos últimos dias, ele provavelmente imaginaria que todos os problemas do país se restringem ao Supremo” – Gilmar Mendes, ministro do Supremo (STF-MT). E isso provaria, de imediato, a existência de vida inteligente fora da Terra. 

“Nós, mulheres, e mesmo eu branca e juíza, somos muito parecidas com seres humanos, mas não temos a integridade de um reconhecimento pleno” – Cármen Lúcia, ministra do Supremo (STF-MG), durante o julgamento do Caso Marielle. Ela estava falando das mulheres… Mas pensando bem, será que existe um outro grupo ao qual ela pertence que até parece humano, mas anda carente de integridade? Deixem suas sugestões nos comentários. 

Diversidade Já! 

“Ainda que a intenção tenha sido boa, a cena reproduz simbologias que nos atravessam enquanto sociedade, remete a desigualdades históricas que estruturam o nosso país e que jamais podem ser naturalizadas” – Carla Perez, dançarina, após foto em que aparece sendo carregada nos ombros de segurança negro. Por um momento achei que ela estivesse fazendo uma autocrítica do blockbuster “Cinderela Baiana”. 

“Não adianta eles colocarem uma mulher para apitar um jogo desse tamanho” – Gustavo Marques, zagueiro do Red Bull Bragantino, reclamando da arbitragem feminina após ser eliminado no Paulistão. Mulher apitando é complicado mesmo… Ela vai marcar falta por um carrinho que você deu lá em 2021. Vai dar impedimento mesmo sem você estar impedido, só porque você pensou. Vai marcar um pênalti sem explicar o motivo e, se você perguntar, ainda te dá um cartão amarelo porque “você deveria saber o que fez”…

“Pedi perdão pra Daniela [Daiane] Muniz e para a assistente dela” – Gustavo Marques, desculpando-se com a árbitra Daiane Muniz após declaração polêmica. Trocou o nome da juíza na hora de pedir desculpas… Aí ele se complicou de vez. Pelas novas regras da FIFA, a pena é de seis meses dormindo no sofá, além de ter o carro riscado e suspensão da cervejinha de sexta com os amigos por tempo indeterminado. 

“O que vamos fazer com o jogador machista do Bragantino?” – pergunta Milly Lacombe, comentarista de futebol. Minha sugestão: se faz tanta questão de fazer algo a respeito, faça um sanduíche para ele. 

“Gostaria de contar com todas, todos, todes, todys e todxs!” – Flávio Bolsonaro, senador e pré-candidato à presidência (PL-RJ), em post no X. Era só o que nos faltava: o primeiro Bolsonaro não-binário. 

“Pessoas negras não são primatas!” – cartaz do deputado progressista americano Al Green, que protestava contra discurso de Donald Trump. Até onde eu sei, todos os humanos são primatas. A exceção talvez seja o nobre deputado. 

“Recebo críticas por ser ecossexual” – Sergio Marone, ator, sobre orientação sexual que envolve um vínculo profundo com a natureza. Então aproveite bem as jacas, os abacaxis e os pepinos… desde que seja tudo consensual. Só não chegue perto da minha moranguinho, que daí vai ter problema. 

“Você pode fazer uma moqueca de peixe, mas não pode fazer um peixe de moqueca” – Viktor Orban, primeiro-ministro da Hungria, criticando a imigração em massa na Europa. Ou, como se diz na minha terra, você não pode fazer uma picanha de metáfora. 

A Semana do Molusco 

“Agora os EUA estão ameaçando o Irã. Ou seja, é preciso colocar um paradeiro nisso. O mundo está precisando de tranquilidade” – Lula.  Como assim, “colocar um paradeiro”? Se esse paradeiro for a mesa de bar de onde ele prometeu resolver a diplomacia global, já passou da hora de pedir a saideira.  

“Não sou carnavalesco” – Lula, respondendo a críticas contra ataques a evangélicos no desfile de escola que o homenageou. Já não se respeitam mais os grandes patronos… Nunca vi alguém cobrar o Castor de Andrade do jeito que cobram o Lula, coitado. 

“Vamos gastar as nossas energias para acabar com a violência contra as mulheres” – Lula, defendendo o Irã contra ameaças dos EUA. Se ele for combater a violência contra a mulher como combate a corrupção, é melhor você já tirar sua filha do balé e botar no jiu-jítsu.

A Invenção da Escrita 

“A literatura indígena ainda precisa ser publicada em português para ter reconhecimento” – Ailton Krenak, indígena membro da Academia Brasileira de Letras. Já passou da hora de os nossos indígenas inventarem a escrita. Eu mesmo só conversava com a minha bisavó por sinal de fumaça. Minha irmã, que é de Humanas, conversa com ela assim até hoje. 

“Agora melhore a exposição e fundamentação deste parágrafo” – trecho de decisão do desembargador Magid Nauef Láuar, que inocentou traficante “casado” com menina de 12 anos, evidenciando uso de IA. E foi assim que a Skynet concluiu que chegou a hora de enviar o Exterminador do Futuro. 

“Sou como vocês: fui mal no vestibular e não sei ler” – Gavin Newsom, governador progressista da Califórnia, falando em evento para a comunidade negra. Praticamente um Lula americano. Tirando a parte de prestar o vestibular. 

“Moro precisava ter ghostwriters, porque talvez não soubesse escrever com G ou com J a palavra tigela” – Gilmar Mendes, criticando o português de Sérgio Moro. Taí a importância de os nossos magistrados pegarem carona em jatinho de empresário: é tanta viagem (com G) nas costas que fica impossível que eles não viajem (com J) com a gramática impecável. 

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